quarta-feira, 27 de junho de 2012

0 Ser "cult" custa caro em Porto Alegre

Não há um levantamento estatístico sobre a questão, mas tenho praticamente certeza que Porto Alegre é a capital, ou uma das, onde se cobra o maior preço de ingresso para assistir shows e espetáculos de teatro. A capital gaúcha recebe uma quantidade razoável de atrações nacionais e internacionais, porém, os preços que são cobrados por uma entrada são pornográficos, para dizer o mínimo. Impossível conseguir prestigiar duas atrações por mês. É amigo, ser "cult" custa caro. Muito caro.
Enquanto falta incentivo para produção local, os espetáculos que desembarcam em Porto Alegre parecem ter vindo diretamente do tempo em que a inflação beirava os 110% ao dia. Atrações que em capitais como São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro custam, em média, R$ 80 chegam aos porto-alegrenses por não menos do que R$ 120. Quer um exemplo? A turnê de João Gilberto, que iria ser realizada ano passado, tinha o ingresso mínimo com preço de R$ 700 na capital gaúcha. R$ 200 a mais do que em São Paulo, por exemplo, que é doze vezes maior em termos de econômicos e populacionais. Nem na Europa se cobra tão caro.
Outro exemplo? Recentemente as cantoras Marisa Monte e Maria Rita, duas das maiores vendedoras de discos do Brasil, circularam com turnês que contavam com aporte da Lei Roanet, principal mecanismo de financiamento cultural do Ministério da Cultura. Ou seja, dinheiro público empregado em espetáculos que tinham ingresso mínimo custando mais de R$ 200. Aqui no Rio Grande do Sul, em outros tempos, a Lei de Incentivo à Cultura chegou a financiar espetáculos de grupos como Sandy e Jr e dar carta branca para uma só empresa captar recursos como bem quisesse (e sem prévia aprovação dos projetos) via abatimento fiscal de ISSQN.
As produtoras "mainstream" poderão alegar que os artistas vem para cá dependendo da venda de ingressos de bilheteria para custear todos os gastos, que não são baixos, de um espetáculo vindo de Rio e São Paulo ou de fora do país. Porém, a questão vai um pouco além disso: é muito conveniente sobretaxar os tickets para capitais periféricas, onde o público carece de grandes espetáculos e mesmo assim receber incentivos fiscais e captar recursos para estes projetos para torná-los viáveis. A mão dupla não funciona quando o preço cobrado pelo ingresso, supostamente incentivado, chega a niveis altamente salgados.
Quem não gosta deste tipo de atrações tem uma série de opções com preços muito agradáveis e até mesmo de graça na cidade. A produção local de música, teatro e dança sofre com poucos mecanismos de viabilização, porém, vez ou outra nos surpreende com boas empreitadas. Basta saber garimpar um pouco. Porém, não se pode deixar passar em branco quando os preços cobrados pelos ingressos beiram o absurdo. Não é porque vamos consumir um produto cultural que não podemos reclamar quando nosso bolso é assaltado, mesmo que ao som de boa música.

terça-feira, 26 de junho de 2012

0 Quando perder ainda dói

*** Texto originalmente publicado no site www.mesadebardogremio.com.br

Existem seres humanos que não entendem como alguns são apaixonados por um jogo inventado pelos inglesses há mais de um século e a devoção quase religiosa empregada ao futebol. Por vezes o esporte consegue ser maior do que os problemas e as alegrias da vida, pelo simples fato de que a vida é um grande jogo de futebol disputado todos os dias em gramados de asfalto pelas ruas das cidades. Uma estranha magia se impõe ao esporte e nos hipnotiza. 
Uma derrota na vida é o mesmo que a derrota do time de futebol pelo qual se torçe. Sei que o empate com o Palmeiras e a consequente eliminação na Copa do Brasil já passou, mas se algo ficou deste insucesso é a lição de que perder ainda dói. Doeu na minha alma tricolor, tão engasgada por anos sem conquistas, ter amargado mais uma eliminação quando estavámos tão próximos de voltar a conquistar um grande título e estar na Libertadores no ano de inauguração da Arena.
O jogo se transforma em saga, desperta paixões, cria mitos, heróis, glórias e tragédias. Exaltado pelas multidões, criou em seu lado sombrio um mundo à parte, onde envolve poderosíssimos interesses políticos e financeiros. No meio de tudo isso estamos nós torcedores que sofremos, choramos, gastamos tempo e dinheiro e amamos nossos clubes com uma inocência infantil, que beira à insanidade.
O Grêmio perdeu por inúmeros motivos. Não contratou um camisa 10 experiente para o cargo, deixou de trazer um bom zagueiro, o time apagou diante de 46 mil pessoas no Olímpico e faltou força ofensiva para anular a retranca de Felipão. Apesar da dor da derrota, é em momentos como esse que nosso gremismo renasce com força triplicada.Vida que segue, pois o ano continua e seguimos no caminho para fazer um ótimo Campeonato Brasileiro e ganhar a Sul Americana.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

2 Uma segunda chance

Existe uma frase de Heráclito de Éfeso, filósofo pós-socrático considerado o pai da dialética, que diz: "Ninguém se banha duas vezes no mesmo rio, pois as águas jã não são as mesmas, nem a pessoa." O método consiste em um diálogo com contraposição e contradição de ideias que leva a outras ideias. Talvez o grego Heráclito não imaginasse que sua afirmação pudesse ser transportada para o mundo de hoje, especialmente nos relacionamentos, onde são cada vez mais comuns as idas e vindas de um casal. As chances de um retorno dar certo são mais de 50%, pode acreditar.



Por vezes as relações amorosas dão muitas voltas e após incontáveis encontros e desencontros acabam voltando para um mesmo ponto. Separações acontecem, pessoas ficam magoadas, terceiros são envolvidos e o tempo passa até que o casal se dá conta de que a vida com o outro era muito mais interessante e preenchedora do que a boa e velha solteirice ou a solidão disfarçada de alegria, mais conhecida como solitude. Independente do que aconteceu para o fim, quando um dos lados se dá conta de que sente falta e ainda ama o outro, o melhor passo é revelar. Até um canalha precisa de afeto.


Para um casal voltar ao ponto de onde a relação terminou (ou próximo disso) um longo caminho foi percorrido. As pessoas não são mais as mesmas, as circunstâncias mudaram, as casas e camas já não são mais as mesmas. Porém, se há amor e sentimentos verdadeiros entre o homem e a mulher (ou até mesmo entre sexos iguais) as coisas tendem a se encaixar novamente muito mais rápido. Mesmo que vez ou outra possa chegar um poeminha via celular, uma ligação pedindo explicações pelo sumiço, um convite para tomar café com terceiras intenções ou uma mensagem no Facebook postada por uma pessoa que ficou pelo caminho enquanto a reconciliação tomava forma.


A verdade é que são raras as pessoas que se complementam nesta vida. Sem cair no velho clichê das "almas gêmeas", mas os opostos dificilmente se atraem. Eles se distanciam na convivência diária. É preciso uma boa combinação de companheirismo, admiração, atração sexual e troca intelectual para fazer um relacionamento dar certo. Se esta combinação cósmica exista com uma pessoa do sexo oposto (ou em alguns casos do mesmo) é dever do ser humano lutar para que este amor aconteça.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

0 Água, lúpulo e malte

Eu sofro bullying dos apreciadores de cervejas artesanais e mais elaboradas. Certa vez em um bar qualquer eu disse que este tipo de bebida se assemelhava a mistura entre o líquido sagrado, no caso a cerveja, com leite. Quase foir expulso do ambiente por amigos de longa data, aterrorizados pela minha sincera revelação. Tentar argumentar as razões do meu comentário foram em vão. "Gosto é gosto e não se discute", já diria o porteiro do meu prédio e filósofo contemporâneo nas horas vagas.



Eu sinceramente respeito os que gostam de cervejas pretas, de trigo, café, chocolate, etc. Mas isso daí não é pra mim. Tenho mais apreço ainda pelos produtores artesanais e industriais destas cervejas, já que o marido de uma amiga é dono de uma grande marca. O meu pobre paladar se contenta com a simples combinação de água, lúpulo e malte. Outros ingredientes agregados são como mostarda, maionese e ketchup em cima da pizza: uma ofensa ao alimento. "nunca fiz amigos brindando com leite".




Fora isso, tem o fator barriga. Não que eu me incomode com isso, mas certa vez uma nutricionista me disse para evitar este tipo de cerveja, especialmente as de trigo, pois engordam pra caramba. O ideal é que a loira gelada a ser saboreada tenha o minimo de componentes possíveis em sua fórmula mágica. Um exemplo? A holandesa Heineken. Não há nada mais do que malte, água e lúpulo em sua composição. Por isso ela é conhecida entre os gordinhos que já fizeram dieta como a "cerveja que os nutricionistas recomendam".


Por fim, eu também não saio por aí bebendo qualquer cerveja. Mesmo as mais simples e com menos ingredientes também possuem suas cotações máximas e mínimas de qualidade, um ranking no qual é considerado um sacrilégio despencar degraus nesta classificação. Um brinde a uma das maiores invenções da humanidade.






sexta-feira, 15 de junho de 2012

0 Por uma Porto Alegre noturna e ao ar livre

Dias desses um movimento bem interessante, capitaneado nas redes sociais, promoveu uma serenata iluminada noturna em pleno Parque Farroupilha, a querida Redenção. A ideia foi chamar a atenção da sociedade e das autoridades para a necessidade de mais segurança e iluminação no local. Com velas, celulares e algumas intervenções musicais, mais de mil pessoas pediram providências para que um dos cartões postais de Porto Alegre fique um pouco mais transitável durante a noite.


A iniciativa da galera do projeto portoalegre.cc me fez refletir sobre algo que sinto falta aqui na cidade: lugares ao ar livre. Não apenas parques, pois isso temos ótimas opções. Fico comparando Porto Alegre com grandes cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Buenos Aires e Montevidéu, onde existem vários bares, restaurantes, anfiteatros que funcionam e são frequentados tranquilamente durante a noite. E mais, alguns foram regiões totalmente revitalizadas com este propósito, o de revigorar o local e permitir uma vida cultural noturna diversificada, ao ar livre, diminuindo a violência e trazendo benefícios para músicos, artistas e comerciantes.


Encontrar um lugar onde se possa comer ao ar livre em Porto Alegre também é uma grande dificuldade. Buteco tem aos montes, mas um lugar para sentar, curtir um sol, comer descansadamente sem hora pra sair da mesa, beber uma taça de vinho e olhar nos olhos da minha morena, isso não tem. Não sei se é pelo clima instável, mas a verdade é que há algumas poucas opções no Moinhos de Vento e na Zona Sul. Nada compatível para uma cidade que possui uma das luzes solares, e noturnas, mais bonitas do Brasil (Tanto que os publicitários sempre querem rodar comerciais por aqui).


Com um pouco de sensibilidade, empreendedorismo e vontade é possível transformar espaços escuros e ociósos de Porto Alegre em locais de convivência, arte, música e encontro entre as pessoas. Tirando os caretas de plantão (que assumem cargos em secretarias e resolvem promover caça à boemia), a maioria da população iria aplaudir de pé.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

0 O futuro da música é o single

Em 2004, Chico Buarque concedeu uma de suas poucas entrevistas. Ao jornal Folha de São Paulo, o autor de "Geni e o Zeppelin", "A Banda" e "Feijoada Completa", disse que a "a canção já foi, já passou". A declaração do velho Francisco foi motivada na época pela situação caótica em que vivia a indústria fonográfica brasileira e mundial. A situação hoje, não é muito diferente. Cada vez menos pessoas compram discos em formato material, o famoso CD. O vinil ensaia uma volta, mas ainda é privilégio de um "ghetto" formando por antigos colecionadores e jovens que compram via Amazon.com.


Recentemente, o baiano gremista Gilberto Gil resolveu entrar em campo contra o tricolor carioca. Gil disparou, entre frases e perguntas sobre seu tempo de ministro, que Chico estava errado e que a canção nunca vai morrer. Silêncio. E agora? Ousaria alguém criar uma disputa de frases entre dois cardeais da MPB ? Teríamos a terceira guerra mundial entre a Bossa Nova e o Tropicalismo ? Nada disso. Gil só discordou gentilmente de Chico. Na verdade, talvez ambos estivessem errados.


Faz algum tempo já que a indústria da música, como ela era antigamente, vem agonizando. Acabou-se o tempos das milhões de cópias vendidas. A frase mais ouvida por quem estuda o assunto é "estamos mudando, mas não sabemos pra onde isso vai". A verdade é que a internet bagunçou tudo. Primeiro foi com o Napster, depois vieram outros sites de compartilhamento e por fim o Pirate Bay. Todos eles "vilões", segundo as gravadores e alguns poucos artistas bilionários. Poder fazer download todo o tipo de música, de qualquer lugar do planeta, esvaziou as lojas de discos e obrigou os engravatados a pensar em uma solução para o novo paradigma da música mundial.


A minha ideia de tudo isso é que estamos caminhando para uma nova "era do single", onde talvez o álbum em si não seja tão importante quanto boas canções lançadas em formato solo, ou no máximo com uma faixa bônus. Recentemente o Red Hot Chili Peppers, uma das maiores bandas do mundo, anunciou que no lugar de um novo álbum vai lançar 18 singles separadamente. A iniciativa é uma prova de que algo vai mudar.

Não que o disco, como conceito de música, vá morrer. Eu acredito que isso não vai acontecer. Mas preciso entender que o público talvez não tenha paciência e vontade de ouvir 14, 15 músicas de um mesmo artista e que, convenhamos, não formam um repertório de tão boa alta qualidade assim. Talvez 5 ou 6 destas obras vão realmente chamar a atenção de quem ouve o disco e podem ser lançadas separadamente. O resto são sobras. 

quinta-feira, 7 de junho de 2012

4 Quero ser Johnny Cash

Quando me perguntam qual o melhor livro que eu já li, várias respostas me vem à cabeça. Não que eu tenha sido um grande leitor ao longo dos meus 29 anos, mas não sou dos menos rankeados em matéria de leitura. Meu gênero favorito são as biografias, especialmente aquelas que são escritas de próprio punho (ou no computador mesmo) por seus personagens centrais. Recentemente fiquei impressionado com a honestidade de Eric Clapton e Keith Richards em suas autobiografias. Ícones das música falando abertamente sobre suas experiências de vida. Porém, a mais marcante, a que mais me impactou pela veracidade de cada uma das linhas foi a versão americana de "Cash - The Autobiography of Johnny Cash".


Tive que ler a obra toda em inglês mesmo já que, por incrível que pareça, não há uma tradução para o português. A maneira como ela chegou a mim foi das mais improváveis. Em 2009, eu estava em São Paulo participando de um congresso de jornalismo cultural no famoso Teatro TUCA/USP-SP, no residencial bairro de Perdizes. Num daqueles intervalos entre uma palestra e outra resolvi dar uma volta pela região. Encontrei um bom (e barato) restaurante para almoçar, um café bom para trocar ideias e um sebo histórico. Confesso que não lembro o nome da lojinha de livros usados, mas lá estava a autobiografia do homem de preto, escondida entre poetas franceses e escritores brasileiros menos prestigiados. R$ 35 reais por aquela lição de vida foi o melhor investimento que eu já fiz.


Nas mais de 430 páginas do surrado livro, Cash escreve boa parte de suas memórias em primeira pessoa, o que confere um realismo absurdo e superior à obra. Suas histórias de brigas, confusões, loucos amores, tragédias pessoais, vícios, até a redenção religiosa e o casamento estão ali descritas com riqueza de detalhes. O cantor e compositor nascido em Kingsland, no estado americano do Arkansas, foi um homem de fortes amores, compaixão, convicções extremas e uma personalidade revolucionária. Um pouco desta vida cheia de som e fúria é perceptível na obra musical. As letras, a voz rouca e a mistura de country, folk e rebeldia revelaram um artista absolutamente contestador e à frente de seu tempo. Tocar em prisões é moda entre rock stars? Cash já havia gravado, em 1969, um disco ao vivo dentro da penitenciária de San Quentin, na Califórnia.


Esquecendo um pouco o astro e pensando no homem, Johnny Cash foi uma figura admirável. Apesar de toda a loucura de suas atitudes, por fim, ele sempre seguiu seu coração, sem medo e sem se importar com os que as pessoas comuns iriam pensar do seu comportamento. Cash não estava nem aí para outros. Amou loucamente sua pequena, a cantora June Carter, a qual após idas e vindas declarou ser a mulher da sua vida. Teve a ajuda dos amigos para superar o vício no álcool e nas drogas. Morreu gravando discos, tocando, compondo ao lado de June, fazendo shows e deixou um dos maiores exemplos de como um homem deve se portar frente a longa e tortuosa estrada da vida: ser ele mesmo.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

0 A importância da bola na rede

*** Texto originalmente publicado no site www.mesadebardogremio.com.br

Apesar do desejo de alguns pobres de espírito, o futebol, esporte maior na vida de todos nós e por vezes maior até que a própria vida, ainda é sinônimo de bola na rede. Os amantes da "brutuculância" querem de todas as maneiras transformar a fabulosa invenção de Charles Muller em um jogo enfadonho, sem raça, sem emoção e, claro, sem gols. Antigamente se jogava futebol com cinco atacantes. Alguns jornalistas esportivos gaúchos querem é teorizar sobre esquema tático e estão pouco se ligando se os jogadores sabem ou não marcar gols. Muitos deles não poderiam viver naquela época em que dois pontas jogavam abertos pelos lados e um centro-avante matador finalizada na grande área. Com o passar das décadas chegamos ao ponto em que os técnicos escalam as equipes com apenas um coitado e solitário homem de frente.


Como gremista sempre gostei de um futebol combativo e nada bailarino, especialmente no meio de campo e no ataque. Porém, se é uma coisa que eu não admito é que meu time não tenha, pelo menos, dois caras que saibam fazer gols. Meter a bola pra dentro na hora do bate-rebate, finalizar bem aquela bela jogada que veio da linha de fundo ou mesmo cabeçar antes da zaga aquela bola atirada pra dentro da área aos 45 do segundo tempo. Não há futebol sem isso. Sem os gols e sem que os atacantes que saibam o que fazer na hora de ficar cara-a-cara com o goleiro adversário não torcida, não há camisa ou garra que conquista vitórias.


O Grêmio tem no seu histórico de jogadores, em todos os tempos, grandes mestres no ofício de empolgar as multidões. Posso começar citando Luiz Carvalho, artilheiro dos anos 30 e que foi presidente do clube.  Oswaldo Rolla, o popular Foguinho, que além de técnico foi goleador entre os anos de 1928-1942. Sem esquecer do "Leão do Olímpico", o "Tanque" Juarez, que segundo relatos de gremistas mais antigos, foi o mais destemido atacante que já pisou nos gramados do Rio Grande do Sul. As lembranças de Alcindo Martha de Freitas, o bugre, que marcou 264 gols nos 13 anos consecutivos em que vestiu a camisa do Grêmio, ainda fazem os tricolores da velha guarda se emocionarem.


Na era moderna, entre o final dos anos 70 e o final dos anos 80, tivemos André Catimba, Tarcísio, Éder e o artilheiro de deus, Baltazar. Aquele que em 1981 declarou que "deus estava guardando algo melhor para o Grêmio". Em 1983, a América e o mundo foram conquistados com petardos de Renato Portaluppi, o eterno homem gol. Ao longo dos anos 90 vestiram a gloriosa camiseta tricolor homens que tinham escrito em na carteira de trabalho a profissão de goleador: César, Tita, Osvaldo, Caio, Paulo Egídio, Valdo, Vilson Taddei, entre outros, realizaram com honras o glorioso ofício de balançar as redes dos adversários tricolores. Ainda nos anos 90 e 2000 a dupla infernal Jardel e Paulo Nunes; coadjuvantes de respeito como Zé Alcino e Luis Mário, o diabo loiro Marcelinho Paraíba e, por fim, o mestre Jonas desestabilizaram as estruturas do Olímpico de tanto marcarem gols.


Esse ano temos algumas muitas dúvidas e outras poucas certezas no ataque. Kleber é, com definitivamente, nosso melhor e mais decisivo atacante. Marcelo Moreno começou bem, mas a sequência de lesões o atrapalharam. A dupla em forma e afinada é uma das melhores do futebol brasileiro. O problema são as opções no banco de reservas. Miralles, Leandro e André Lima possuem dificuldades do tamanho do Olímpico na hora de balanças a rede dos rivais. Por isso é louvável que a direção siga atrás de bons atacantes e homens que saibam fazer gol. Por mais que digam o contrário, a bola na rede ainda é importante.

Vamô Tricolor!!!

segunda-feira, 4 de junho de 2012

0 Tristeza não tem fim, morreu o tio Zeir

Santa Maria, cidade do coração do Rio Grande do Sul, está de luto. Morreu uma das suas figuras mais carismáticas e contagiantes. Zenóbio Pujol, o popular tio Zeir ou o "Rei da Boca Maldita", nos deixou. Partiu desta para uma melhor. Famoso sambista, compositor, homem do carnaval e entusiasta do futebol amador da cidade, era figura cativa nas manhãs do calçadão santa mariense, onde tudo se comenta, tudo se sabe e tudo se vê. Zeir era conhecido por ser uma pessoa descontraída, sempre de bem com a vida, torcedor fanático do Internacional, certamente vai deixar saudade entre seus amigos e familiares.


Dos muitos títulos do carnaval de Santa Maria ganhos pela Unidos, lá estava um samba enredo assinado pelo Zeir. Minha convivência com o tio foi na infância, momento em que buscamos ídolos, representações de pais ausentes e até modelos para moldar um pouco do futuro caráter. Por essas coisas da vida tive o prazer de conviver com a família Pujol, com a Dona Bila, o Adilson, o Dé, a Márcia e outros que frequentavam aquela casa simples de frente para as quadras de futebol do Parque Itaimbé, mas que tanto marcou a minha época de criança. Foi ali, entre os cômodos de cimento e a comida saborosa, que conheci o samba de Cartola, de Noel Rosa, Paulinho da Viola e Lupicínio Rodrigues. Adorava ouvir as histórias do tio Zeir e assistir os ensaios da Unidos do Itaimbé, até hoje a minha escola de samba do coração.

Arrependimentos a gente tem muitos nessa vida. O meu último foi não ter ir fazer uma visita a quadra da escola ou tomar um café expresso na Galeria Chami para poder dar um alô ao tio Zeir, falar de futebol e samba. Que descanse em paz e receba todas as homenagens a que tem direito. Merece, meu padrinho!

domingo, 3 de junho de 2012

0 O jornalista e a bebida

"Rum - Diário de um jornalista bêbado" é um dos livros menos conhecidos do mestre do jornalismo gonzo, Hunter S. Thompson. Apesar de ter sido escrito nos primórdios da carreria do periodista borracho y loco do Kentucky, nos tempos em que ele trabalhava em jornais e revistas de categoria nos Estados Unidos, a obra ficou anos engavetada e só foi publicada em 1998, três anos após a morte do autor. Em fevereiro de 1995, após incontáveis problemas de saúde (especialmente complicações e dores terríveis após uma cirurgia na bacia) Thompson deu fim a própria vida com um tiro de espingarda na cabeça.


No livro, Hunter desconstrói o mito de que o jornalismo é uma profissão glamurosa, excitante, divertida e revolucionária. Pelo contrário, ele busca mostrar justamente o quão ingrato é o ofício, ainda mais quando se é um repórter norte-americano que tenta viver e trabalhar em Porto Rico. "Rum" foi a primeira experiência de Thompson na ficção. Mostra que seu trabalho vai além daquilo que ele mesmo inventou: o jornalismo gonzo - mistura de literatura, reportagem investigativa e contracultura. Embora os personagens continuem sendo jornalistas fora de controle, neste livro tudo foi obsessivamente planejado e estruturado, ao contrário do freestyle dos textos gonzo.


A chegada do filme estrelado por Johnny Depp volta os holofotes para Hunter e seu livro menos familiar ao grande público. Depp, aliás, foi um grande amigo do escritor e pagou todas as despesas com o fúneral de Thompson. O filme, dirigido por Bruce Robinson, é um projeto pessoal do capitão Jack Sparrow em homenagem ao amigo doidão que o telefonava ás 2h da manhã para conversar sobre doenças venéreas e o chamava de "Coronel Depp". Isso quando não usava uma arma taser e um polidor de carros para fazer amigos nas loucas noites de Denver, no estado americano do Colorado.


Existem pessoas, e eu me incluo, que acreditam que a bebida e alguns tipos de drogas são fatores fundamentais para despertar a criatividade (e até a genialidade) em alguns artistas, músicos, escritores, poetas, etc. Não que todo mundo tenha que sair por aí se detonando para fazer algo melhor, por favor, não é sobre isso que estou escrevendo. Mas Hunter Thompson foi um dos primeiros jornalistas a falar abertamente sobre a poderosa mistura entre a bebida alcoólica e a profusão de ideias, que invariavelmente conduziam seus textos. Tente imaginar, por exemplo, Bukowski escrevendo sóbrio, Jack Kerouac sem o uísque, Ernest Hemingway sem doses cavalares de absinto ou Fitzgerald sem bourbon. Dificilmente teríamos o legado imprescindível que a literatura bêbada nos deixou.

A fama de boêmio é quase uma marca de todo o bom jornalista. Esta boemia nada mais é do que experiência de vida que vai ser agregada ao trabalho, pois eu acredito que não se pode ter uma mente jornalistica plena, ou quase, sem ter vivido e experimentado sensações e sabores que a casa dos pais ou o conforto de uma vida regrada não são capazes de fornecer.

sábado, 2 de junho de 2012

0 Uma vez pilantra, sempre pilantra

*** Texto originalmente publicado no site http://http://www.mesadebardogremio.com.br

O ensolarado domingo porto-alegrense de 30 de outubro de 2011 jamais será esquecido pelos mais de 44 mil gremistas que estiveram presentes na vitória do Grêmio por 4×2 no Flamengo, no Estádio Olímpico. Além do triunfo, a capital gaúcha jamais presenciou ou ouviu tamanha e estrondosa vaia a um único ser humano. O dentuço pilantra veio até os pagos gaúchos para sentir toda a ira de uma nação que nunca vai reconhecê-lo, ou seu irmão mais pilantra ainda, como parte dela. Por trás de mil declarações de amor sempre estiveram negociatas, interesses e vigarices.


Voltando naquele domingo ensolarado, o mercenário sentiu todo o mar azul do Oímpico passar por cima de sua arrogância e desleixo com o clube que o forjou a ferro e fogo para o futebol mundial. Ronaldinho Gaúcho é o maior traidor da história do Grêmio e assim deve ser tratado pela torcida e por aqueles que simpatizam com o clube. Seu nome não deve mais nem ser citado como parte integrante do roll de grandes jogadores que vestiram nosso manto sagrando.


Porém, como todo o homem romântico que acredita que a mulher que um dia o traiu vai ser diferente em uma nova tentativa de reatar o romance, o Grêmio quase embarcou no conto do pilantra em 2011. O único acerto da gestão Paulo Odone era considerado há pouco tempo um dos maiores vexames da história do clube. Benditas caixas de som que foram retiradas do Olímpico logo após o irmão/empresário/mercenário Assis mandar um torpedo via celular para Odone pedindo mais dinheiro para o dentuço vir jogar na cidade natal e no clube que ele, um dia , declarou que jogaria de graça.


Eis que Ronaldinho Gaúcho foi para no Flamengo, o clube mais folclórico do Brasil. Um ano e pouco depois vimos no que deu: ele fingia que jogava e eles fingiam que pagavam. Agora aquele que pagou com traição a quem sempre lhe deu a mão vai encerrar sua melancólia carreira enganando chineses ou árabes (ou palmeirenses) e jamais será lembrado no hall da fama dos grande clubes que passou, justamente por não ter caráter e não ter aquilo que separa os homens dos ratos: gana de vencer!!

sexta-feira, 1 de junho de 2012

0 A revolução pós "pé na bunda"

Levar um pé na bunda, como se diz na gíria, nunca é uma coisa legal. Não é bacana pra quem entra com o instrumento de chutar, muito menos pra quem entra com o traseiro nessa história. Os dois lados saem machucados do fim de um relacionamento. Dizem até que existe uma cronologia lógica dos fatos para quem ficou com a pior parte da história: primeiro vem a raiva, depois a tristeza, a saudade e, por fim, a conformidade com o rumo que as coisas tomaram. Com o passar dos anos pode até nascer um sentimento de compaixão com o outro.


Porém, o fim de uma história de amor pode trazer alguns bons frutos quando se torna uma motivação, a mola impulsora que faltava para algumas revoluções em outros campos da vida. Veja, por exemplo, o caso da cantora americana Norah Jones. A bela moça ganhou oito prêmios Grammy, em 2003, com o álbum "Come Away With Me" e vendeu milhões de cópias de seus discos seguintes. Mas, e na vida há sempre um mas, faltava um pouco de veneno e malícia para a bonitinha filha de Ravi Shankar.

O veneno, no sentido figurado da coisa, veio a partir de 2008 com um pé na bunda. Lee Alexander, parceiro de tantas noites, beijos e composições, resolveu por fim ao casamento pessoal e profissional com Norah. Meio sem rumo e sem saber o que fazer, a garota se refugiou em seu apartamento em Nova York e de lá pouco saiu em meses. Suponho eu, que ela tenha preparado boa parte das letras das melodias do álbum "The Fall", que saiu pouco mais de um ano depois da separação. E é aqui que o veneno de Norah Jones ganha contornos musicais.


O disco veio cheio de referências explícitas a desilusão amorosa ocorrida e mostrou uma artista muito mais madura e dona de si. Como se, em uma suposição minha ao fim do casamento de Norah, ela tivesse se libertado de uma força que a bloqueava criativamente e apenas usava sua bela voz para cantar melodias jazzisticas ao piano. Eis que surge uma Norah muito mais verdadeira e próxima da essência de uma pessoa que soube transformar uma limão e uma bela limonada. A catarse musical (e visual, já que ela aparece hoje em dia de cabelo curto e vestidos igualmente diminutos) seguiu por seu mais novo trabalho, chamado "Little Broken Hearts".


Com certeza todo mundo já passou por uma situação parecida e menos musical do que esta. O pé na bunda como impulso para o que vem logo ali na esquina, um estímulo ao novo e um abrir de portas e janelas para a vida que brilha lá fora e como diriam os Stones "is dyin to meet you". Norah Jones que, antes parecia cantar para seu namoradinho se deu conta de que o cara era um canalha e passou a ser ela mesma: bela e venenosa.
 

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